{ BOICOTES }

Há dias que a lei de Murphy (em soft) impera e contra isso nada a fazer…

Ora veja-se:

– saio à hora certa do trabalho pois hoje é dia de levar o mais velho ao futebol…mas…ao dizer até amanhã, alguém que esteve comigo o dia inteiro decide falar sobre um assunto deveras (pouco) importante…

– à conta disto perco o comboio que me levaria ao destino a horas decentes para não andar em stress;

– chego ao destino e lembro-me que é necessário comprar algo para complementar o jantar (lá vão mais 10 min…);

– o stress aumenta…ligo ao mister a avisar do atraso do pré-adolescente (que já é garantido);

– saio do supermercado e encontro uma pessoa que não via há algum tempo, cumprimento, dou dois dedos de conversa (mais 5 min a contar p o stress);

– vou buscar os gémeos à creche (perco mais 10 min);

– entretanto, o mais velho já ligou 3× a perguntar onde estou! 😵😵;

– chego ao pé dele (faltam 5 min para iniciar o treino);

– partimos…encontro uma fila interminável! Oh nãoooooo!

– finalmente chegamos ao treino…10 mins atrasado (nem foi mau…);

– vou até casa, pois tenho de dar banho e jantar aos gémeos e já é super tarde;

– ao chegar à rua encontro a minha querida vizinha e amiga (fico feliz pela ajuda);

– os gémeos entretanto vão até casa dela, cumprimentar o vizinho e amigo;

– começo a panicar, são quase 20h, e ainda não tratei dos gémeos, nem do jantar deles e nem tão pouco do nosso…

Mas todos os “boicotes” deste dia foram bons e a vida não pode ser apenas e só em função do relógio.

As rotinas são de vital importância para o desenvolvimento das crianças, mas quebrá-las dá cor aos dias.

Que todos os boicotes da nossa vida sejam assim doces. 🍭

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{Ode ao pai}

O pai merece uma ode…não porque ajuda, mas porque faz tanto como a mamã! Trabalho de equipa…não podia ser de outra forma. Dá banhos, muda fraldas, faz e dá jantares/almoços, tem toneladas de paciência (às vezes o cansaço interfere …mas é normal!), tem paciência com as crias e com a mãe (que é uma stressada).

Ode ao pai, que queria um filho e sairam dois… que os (nos) ama incondicionalmente, que tantas vezes é criticado sem razão (mea culpa, me desculpa!).

Ode ao pai…que está sempre presente, que faz de tudo para que tudo esteja bem.

Ode ao pai… por ainda apoiar na educação do enteado, que o leva aos treinos e aos jogos de futebol, que lhe ensina coisas engraçadas sobre matérias “incompreensíveis”, para esta mãe (tipo as regras de um jogo de bilhar…) 😉.

Este pai/companheiro merece uma ode e a nossa gratidão.

Amamos-te muito pai Pedro!

p.s. – a próxima ode é ao mano mais velho que também a merece! ❤

Ter gémeos é …

A lembrar as figurinhas dos anos 80 (Amor É…) aqui fica:

  • saber que não teremos um segundo de descanso, pelo menos enquanto não estão a dormir;
  • ter (quase) sempre alguém a chorar;
  • saber que serão o melhor amigo um do outro o resto da vida (e ficarmos descansados por isso);
  • arranjar maneira de conseguir pô-los no carro, sem que se molhem muito, quando estou sozinha com eles e chove copiosamente (nunca consegui sozinha – duvido que consiga…);
  • dar banho aos dois ao final do dia quando estou sozinha (dou a um de cada vez…);
  • esquecer a questão do contágio de doenças e dar a comida com a mesma colher (eles vão contagiar-se de qualquer forma);
  • saber que quando um fica doente , dois ou três dias depois o mano também fica;
  • amar a forma cúmplice com que se olham e comunicam (frequentemente);
  • não gostar nadinha quando lutam um com o outro por causa do mesmo brinquedo, ainda que tenham dezenas de outros com que poderiam brincar (sempre…);
  • aprender com eles o contágio do riso (quando um começa o outro vai atrás, é LINDO!);
  • ter a certeza de que o ponto anterior também se aplica à asneira (não será tão lindo J );
  • amar quando um deles dá miminhos ao mano que está a chorar;
  • saber que o dia acaba no mínimo às 10 da noite (a palavra cansaço não explica de forma clara o que acontece na realidade…);
  • perceber perfeitamente que apesar de serem gémeos cada um tem a sua personalidade bem definida e distinta;
  • perceber que ainda que tenham personalidades distintas têm tantas coisas em comum;
  • maravilharmo-nos quando percebemos que sentem a falta um do outro;
  • ficar aterrorizada só de pensar o que poderá acontecer se cada um fugir para seu lado (especialmente quando estou sozinha);
  • achar que estamos a um passo da loucura (tipo praticamente todos os dia 🙂 );
  • amar incondicionalmente cada momento (mesmo os menos bons) em dobro;
  • É UMA BENÇÃO E UMA GRANDE AVENTURA!

Certo é que tudo o que foi escrito atrás se aplica a qualquer criança, mas no caso de gémeos tudo é exponenciado.

{espreitai aqui também: http://revistainominavel.blogs.sapo.pt/mae-de-tres-ter-gemeos-e-109241}

{Escrito por outra via, mas ainda sobre os twins} – Preto e branco – Yin and Yang

Mãe de Três | Preto e branco – Yin and Yang

A vida nunca é a preto e branco, raras são as situações da vida em que isso acontece.

Veja-se o caso de uma gravidez, que acarreta sempre riscos, e no caso de uma gravidez de gémeos os riscos duplicam, no mínimo. Deixo o meu testemunho (resumido) do quão cinzenta poderá ser uma gravidez gemelar (a outra foi mais a preto e branco).

Começámos por ficar muito felizes com a gravidez (em si mesma), tendo sido feita uma confirmação ecográfica às 8 semanas. Lá estava a placenta toda bonitinha … fomos de férias e por volta das 10 semanas voltámos ao médico. Foi nesta consulta que o médico começou a achar estranho o tempo, ou algo do género, fez nova ecografia ali mesmo… “Ah – disse – já percebi!!! É uma placenta com dois saquinhos! São gémeos!” E pronto, foi nesse momento que ficou tudo cinzento… de medo… E agora?

A boa notícia (branco) é que cada um estava em seu saquinho, a má (preto) é que tinham a mesma placenta. Aqui os riscos aumentam mais um bocadinho.

Com o desenrolar da gravidez percebeu-se que um dos gémeos não estava a crescer como deveria (cinzento escuro). Fui para casa com indicação de gravidez de alto risco, descansar o máximo possível… (como se conseguissefazer isso em casa). O controlo ecográfico apertou… até que um dia o médico nos disse que realmente um dos gémeos não estava a crescer como seria suposto. Tudo cinzento, muito escuro! Coração sabe Deus onde…

Encaminhou-me para um hospital público, onde cheguei com um diagnóstico aterrador, a possibilidade de perder os dois bebés (tinha 24 semanas de gestação). Aqui passou a preto.

Depois de um dia inteiro em exames, verificaram que se tratava de uma situação de restrição de crescimento efectiva de um dos gémeos (cinzento outra vez). Fiz maturação pulmonar dos gémeos, nesse mesmo dia e seguinte. Comecei a fazer ecografias dia sim, dia não.

Acabei por ser internada às 27 semanas. Durante o internamento a minha visão da situação alternava entre o preto e o cinzento. Fazia ecografias diárias sempre sem saber o que me aguardava. Nasceram com 31 semanas… um com 1 kg e o outro com 1,5 kg. Tinha dado à luz dois quilos e meio de gente. Ficaram longe de mim (tudo preto…).

Só os conheci no dia seguinte ao nascimento. Sorte estar numa cadeira de rodas quando os vi. Tudo preto. Tubos por todo o lado, exames a cada minuto, monitorizados constantemente. Tive alta 3 dias após o parto, fomos para casa sem bebés (tudo preto, o cinzento já nem aparecia). Ficaram na Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais por 6 semanas. Durante esse tempo assistimos a situações assustadoras, como a morte de um bebé ou bebés a serem operados de urgência. Chegávamos ao hospital (fomos visitá-los todos os dias) sempre com o coração nas mãos, sem saber o que iríamos encontrar.

Mas os bebés prematuros são guerreiros, uns Heróis! (tudo branco 🙂 ). Tiveram alta e foram crescendo saudáveis e sem sequelas. Os médicos e enfermeiros também são heróis nestas histórias de sucesso e são a nossa luz, a quem confiamos os nossos corações (são o branco destes sucessos). Bem hajam aos que cuidaram dos nossos no HSM.

Aprendemos a relativizar tudo, é mesmo um dia de cada vez e cada dia vai-se tornando mais claro à medida que os vemos a recuperar e crescer. Têm hoje 20 meses e são os meus heróis cheios de Luz.

O equilíbrio é bom na vida, o preto e o branco, o Yin e o Yang.

{ora espreitem: http://revistainominavel.blogs.sapo.pt/mae-de-tres-preto-e-branco-yin-and-97999}

Gémeos doentes

Este é um tema deveras pertinente… quando soube que ia ter gémeos, mil e uma questões apareceram de imediato (depois do pânico, claro!), e uma delas era “e quando adoecerem?!!” Fico só com o que está doente em casa? Adoecem os dois ao mesmo tempo? Se não adoecerem, e um adoecer uma semana depois do mano, vou faltar tipo um mês seguido ao trabalho até ambos recuperarem? (Pânico outra vez!).

Outro factor importante nesta equação é que a nossa rede familiar não consegue acudir-nos tanto quanto quereriam . Além disso e a bem da verdade com dois tudo complica!

Decidi aguardar para sofrer na altura…

A primeira vez que um deles ficou doente e depois de muito ler sobre o assunto, desde teorias como “o melhor é ficar só com o que está doentinho e deixar o outro na creche/escola”, ou “jamais, fica um em casa o outro também !”, fiquei deveras confusa…

Quando chegou a altura decidi experimentar a versão do fico só com um… resultado…

O que foi para a creche teve o tempo todo deprimido num canto (ainda que fosse muito pequenino) tiveram tanto tempo juntos para agora serem separados; a logística envolvida – no vai um e fica o outro – é deveras difícil; e eu tive o tempo todo cheia de remorsos por ter ficado com um e ter enviado o outro para a creche…

Resultado, no dia seguinte o mano também ficou doente, pelo que fiquei com ambos!

Ou seja, agora sempre que um deles fica doente, fico com ambos em casa.

A verdade é que pela experiência que tenho nesta questão de gémeos (quase 22 meses 🙂 ) não me lembro de nenhuma doença/maleita ou achaque que um tenha tido e o mano não (pode ser uma questão de minutos apenas ou no máx. 24 horas de diferença entre o aparecimento dos sintomas no “segundo”).

Esta situação nem é má de todo (o facto de ficarem doentes ao mesmo tempo!, não da doença em si – mas faz parte  do seu crescimento!!), dado que não é preciso faltar assim tanto tempo (caso a doença o permita e não existam complicações – como será bom de ver), pois estão doentes praticamente ao mesmo tempo e recuperam apenas com pouca diferença (pelo menos – em principio – não dobrando o tempo de recuperação, já que tudo o resto é em dobro! 🙂 ).

Seja como for não será de excluir que possa acontecer um adoecer hoje e o mano só daqui a duas semanas (são gémeos, apenas…cada um é cada um).

E para terminar ainda temos o mano mais velho que de vez em quando também leva por tabela (perdoem-me a expressão) e fica também como senhorio de um vírus oportuno vindo dos mini manos.

Ah, e temos sempre o pai que vai revezando a mãe, que nestas questões de paternidade é excelente! ❤

Veremos o que nos reserva o Inverno que está por aí a chegar (o Outono já começa bem…bahhh)

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